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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

História do Louvre - da Idade Média a Revolução

Estou fazendo um Curso de Francês na Sorbonne e uma das partes mais intessantes é poder ver alguns professores de lá darem conferências sobre vários assuntos. A de História da Arte é muito cheia. O Professor é bom, o cara tem um conhecimento absurdo de história e de arte.

Ele começou mostrando uma das obras mais importantes do período da Idade Média: Les trés riches heures du Duc de Berry (As mui ricas horas do Duque de Berry), um manuscrito iluminado ricamente ilustrado, contendo textos, orações e salmos.

Como todo mundo sabe que eu me interesso muito por história medieval, fiquei bastante curioso. O livro tem mais de 200 folhas e muitas ilustrações importantes, por mostrarem detalhes da vida na idade média.

Essa gravura representa o mês de outubro e o cultivo dos campos. Ao fundo pode ser visto o Louvre. Não o palácio atual, mas a fortaleza antiga, anterior ao palácio (e cujas ruínas podem ser vistas hoje em dia no subsolo do Louvre).
O Louvre era originalmente um castelo medieval que defendia o lado oeste de Paris e que fazia parte das fortificações de defesas construídas por Filipe Augusto, a partir de 1190, que circulavam a Paris medieval. Uma parte dessas muralhas ainda podem ser vistas no bairro do Marais.

Um século e meio mais tarde, em 1358, Paris já tinha crescido para além dos muros de Filipe Augusto. O rei de então, Carlos V, resolve contruir uma nova linha de muralhas. O Louvre, no interior da cidade perde sua função defensiva. É a partir dessa época que o Louvre se torna uma residência real.

Mas é François I, em 1527, já durante a renascença, que ordena a demolição da antiga fortaleza e manda construir um palácio moderno, inspirado nas idéias renascentistas e nos palácios da Itália.

Cinquenta anos depois, o Louvre, mistura da antiga fortaleza com o novo palácio, é considerado desconfortável por Catarina de Médicis, que ordena a construção, 500 metros mais a oeste, do Palácio de Tulieres. A partir daí a ambição dos reis é juntar os dois palácios.

É Henrique IV (o rei que disse "Paris bem vale uma missa") que, entre 1595 e 1610, constroi a Grande Galeria à margem do Sena, com 450 metros de extensão, ligando os apartamentos reais do Louvre ao Palácio de Tulieres. Mas seu assassinato interrompe as obras, o interior resta inacabado. Seu filho, Louis XIII, muito jovem, só vai se interessar pelo Louvre 15 anos depois. E vai ser Luis XIV, o Rei-Sol, quem vai completar as obras da Grande Galeria. 

É ao tempo de Luís XIV que o Louvre vai tomando a forma que conhecemos, com a última parte da fortaleza medieval sendo destruída para dar lugar a outras galerias que seguiam o estilo clássico. Mas Louis XIV troca o Louvre por Versailles e novamente as obras são deixadas inacabadas.

Mas Louis XIV.... Louis XV... Louis XVII e.... A Revolução Francesa chega.

Em 1793, A Assembléia transforma o antigo palácio real em museu e o abre aos artistas e a visitação popular.... 
Gratuitamente! Ao contrário de hoje em dia :( 
Viva a Revolução!!!
As obras expostas vem das coleções reais ou das casas dos nobres emigrados.


Nessa pintura Projet d'aménagement de la grande galerie du Louvre, 1796, de Hubert Robert (nome engraçado esse) - que foi o primeiro curador do Museu do Louvre, temos uma visão do museu na época da Revolução, com artistas copiando quadros famosos e gente do povo admirando as obras colocadas na Grande Galeria.

Bem, espero que tenham gostado do post. Outro dia coloco a parte II da história do Louvre, da Revolução à Visita de Ronaldo!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Palais Royal


O que hoje é o Palais Royal foi construído pelo Cardeal Richelieu (e por isso era chamado de Palais Cardinal enquanto Richelieu estava vivo). Era uma posição estratégica para uma residência porque ficava quase em frente ao Louvre, o palácio-fortaleza real. Após sua morte, Richelieu o deu em testamento a Louis XIII, Rei da França.

Luís XIV viveu aqui em sua infância e durante a Fronda, uma revolta dos nobres que protestavam contra a centralização do poder real. Numa noite, os nobres invadiram o quarto do rei para ver se ele estava realmente lá. O Rei fingiu dormir, e pouco depois ele e sua família fugiram de Paris. Quando retornaram, preferiram a segurança do Louvre ao luxo do Palais Royal.

O Palais Royal passou então para o irmão do rei e seus descendentes. Um deles, Philippe d'Orleans, endividado, construíu uma série de lojas e residências em torno do jardim para ganhar dinheiro com o aluguel. Durante o período pré-revolucionário, o jardim e as lojas em volta se tornaram o centro da vida cultural de Paris. 

Cafés, cassinos, teatros e prostitutas pelos corredores dos prédios. Assassinatos, escandâlos e conspirações ocorriam aqui. O movimento que levou a queda da Bastilha, começou aqui quando um agitador subiu numa mesa de um café e sacou duas pistolas, gritando "As armas, cidadãos!".

Por fim, esse primo do rei, que durante a revolução ficou conhecido como Philippe Égalité, e que era dono do Palais Royal, acabou guilhotinado durante a Revolução Francesa, embora tenha votado pela morte do Rei, seu primo.

Durante a Jornada do Patrimônio, nós fizemos uma visita guiada pelos jardins e interiores do Palais, e a guia falou de histórias que ocorreram ali. A mais interessante das que conseguimos ouvir (porque a mulher falava baixo e em francês!) era de um restaurante que não tinha garçons, você anotava na comando o que queria e a comanda descia por um "elevador" na mesa até o porão, onde a comida era preparada e voltava pelo "elevador" a mesa. Bom para conspiradores, eu imagino :)


O Palais Royal hoje em dia é sede de várias instituições do governo francês, como o Conselho de Estado, o Ministério da Cultura e o Conselho Constitucional. E também de vários restaurantes caríssimos para turistas ricos. Tem um restaurante que ainda é o mesmo da época pré-revolução. Imagine o quanto você deve ter de pagar pra sentar a bunda na mesma cadeira onde Danton sentou! E algumas obras de arte moderna de gosto duvidoso, como essa ai encima - uma série de colunas no meio do antigo pátio do palácio.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

França x Brasil


Para quem acha que o Brasil é complicado, com suas inúmeras Constituições (já estamos em qual? A oitava?) saiba que a França não fica muito atrás!

Outro dia estávamos tentando entender a história da França. Porque por aqui eles já estão na V República. 

E isso desde a Revolução Francesa (1789) e ainda teve dois impérios no meio (Napoleão e depois seu sobrinho, Napoleão III).

Ou seja, mais uma coisa que puxamos dos franceses além do sistema burocrático (uma repartição aqui é igualzinha a uma do Brasil, hehehe... ).